Para iniciar este artigo, vamos falar sobre como a indústria de alimentos teve que se adaptar para aplicar melhores práticas da ISO 22000

Desde março de 2020, a pandemia da Covid-19 no Brasil impôs uma nova realidade para as nossas relações humanas.

Os efeitos dela podem ser percebidos na alta do desemprego, na redução da renda do brasileiro e nas novas formas de trabalho.

Além do impacto financeiro negativo, o “novo normal” possibilitou que as pessoas se reinventassem e, principalmente, empreendessem.

Segundo o boletim anual do Mapa de Empresas pela Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, mais de 1 milhão de empresas foram fechadas no ano passado.

Porém, em 2020, foram abertas mais de 3,3 milhões de novas empresas. De acordo com o Serasa Experian, houve um crescimento de 8,7% em comparação com 2019.

Este resultado é o maior desde 2011 e foi puxado, especialmente, pelos microempreendedores individuais (MEIs), que representam 79% das novas empresas no levantamento.

Outro destaque vai para o setor de alimentos, pois foi o segmento com maior número de registros no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no ano passado, representando 9,7% do total.

Contudo, a pandemia do novo coronavírus também elevou o nível de preocupação com a saúde. Felizmente, os brasileiros abraçaram as práticas básicas de higienização das mãos e de produtos.

O enrijecimento das normas sanitárias também impactou os novos empreendedores, principalmente, os estabelecimentos de alimentação, que tiveram que aumentar a preocupação com a segurança alimentar dos clientes.

FSSC/ISO 22.000

Neste contexto, evidenciou a Food Safety System Certification (FSSC 22.000), que, em tradução direta, quer dizer Certificação de Sistema de Segurança Alimentar, que define os padrões de gestão para organizações envolvidas na cadeia alimentar.

Os requisitos são estabelecidos pela Organização Internacional de Normalização (ISO) que pensa em todo o processo, desde a “colheita à mesa” do consumidor.

A FSSC/ISO 22.000 visa garantir ao cliente final a qualidade da prestação do serviço e, principalmente, uma alimentação saudável. Ela pode ser implantada em qualquer organização, independente do porte da empresa.

A gestão só deverá se adequar às normas nacionais e internacionais para a indústria de alimentos por meio do Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos (SGSA).

O superintendente do Procon Goiás, Alex Augusto Vaz Rodrigues, fala da importância de uma empresa possuir o FSSC/ISO 22.000. “As empresas que possuem essa certificação promovem uma gestão de controle rigoroso dos pedidos inerentes aos alimentos, estando atentos aos riscos biológicos, químicos ou físicos dos produtos.

As empresas que estabelecem esse programa fazem o monitoramento e planejam as possíveis melhorias para segurança alimentar”.

 

Os benefícios de aplicar as melhores praticas da ISO 22000

As práticas da FSSC/ISO 22.000 trazem benefícios para a cadeia de produção e para o consumidor final.

Isso é possível, pois com ela as organizações agregam um alto-conhecimento sobre a cultura da empresa para elaborar estratégias que garantam a segurança do seu produto. Com isso, estará se comprometendo com a segurança alimentar do seu consumidor.

“A empresa que possui essa certificação, FSSC/ISO 22.000, será beneficiada devido ao fato dela poder demonstrar para o seu consumidor que os produtos que ela produz e comercializa respeitam um padrão internacional de segurança alimentar. Com isso, será agregado valor e melhor conceituação dos produtos. Mas, o principal beneficiado será o cliente, que vai consumir alimentos confiáveis, que passaram pelo processo de controle de riscos”, destacou Alex.

O sistema de gestão de segurança de alimentos possibilita o desenvolvimento dos colaboradores através de formação técnica que pode elevar a qualidade total do serviço e produto.

Uma vez maior capacitada, a gestão conseguirá reduzir os impactos negativos e prevenir as falhas na produção. Com isso, a empresa terá redução dos custos com retrabalhos e desperdícios.

A nutricionista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Tatiana Jordão Pontes, fala sobre a preocupação com o desperdício na cadeia de produção de alimentos.

“Primeiro, a empresa está desperdiçando alimentos que poderiam estar nutrindo várias pessoas e segundo, a empresa está perdendo dinheiro na logística de produção e transporte dos produtos”.

A especialista ainda destacou que a gestão da cadeia alimentar deve estar atenta ao tratamento do solo, o transporte dos alimentos e armazenamento deles. Segundo ela, essas questões podem potencializar ou prejudicar a qualidade do produto no que diz respeito aos nutrientes presentes.

“Se foi plantado em um solo bem preparado e colhido na safra correta, o alimento será mais rico em nutrientes, vitaminas e minerais”.

Uma empresa com esta certificação obtém reconhecimento nacional e internacional em relação à segurança do produto oferecido. Com isso, ela atrai fornecedores também certificados, o que aumenta a satisfação e confiança dos clientes.

O que resultará na melhoria na imagem da organização, fidelização dos consumidores e também na consolidação da organização no mercado.

Com o aumento da confiabilidade da empresa, que possui a certificação da FSSC/ISO 22.000, a visibilidade da mesma também dará um salto gigantesco.

Isso será possível devido ao reconhecimento de uma logística de produção, transporte e armazenamento dos produtos com qualidade. A partir disso, a organização passa a ganhar espaço para exportação.

Além disso, o FSSC/ISO 22.000 contribui com o aumento da competitividade no mercado. Pois, através do comitê Global Food Safety Initiative (GFSI) a empresa terá maior abertura para exportação do produto.

Além disso, reduz o número de reclamações de clientes devido assegurar a qualidade, higiene e segurança dos alimentos e o aumento das possibilidades de novos empreendimentos.

A estrutura

Desde 2005, ano da primeira publicação da FSSC/ISO 22.000, as indústrias de alimentos tiveram que se adequar às novas normas de segurança vigentes. Entretanto, foram identificadas lacunas na versão inicial da norma e houve a necessidade de revisão da mesma.

Os usuários trouxeram feedbacks que resultaram em uma nova publicação em 2018.

O processo de revisão da norma foi iniciado em novembro de 2014. Foi necessário esclarecer alguns conceitos, como por exemplo, pontos de controle, abordagem de riscos, retirada do produto e recall.

Também adotaram o anexo SL a fim de garantir maior integração com as outras normas de sistemas de gestão. Além disso, asseguram que pequenas e médias empresas possam aderir às normas.

Com isso, a versão de 2018 da FSSC/ISO 22.000 possui uma estrutura baseada na Estrutura de Alto Nível das normas da Organização Internacional de Normalização (ISO). Isto a torna mais compatível e facilita a integração dela com outras normas de sistema de gestão. Confira a atual estrutura dessa certificação:

• Prefácio;

• Introdução;

• 1. Escopo;

• 2. Referências normativas;

• 3. Termos e definições;

• 4. Contexto da Organização;

• 5. Liderança;

• 6. Planejamento;

• 7. Apoio;

• 8. Operação;

• 9. Avaliação de desempenho;

• 10. Melhoria;

• Anexos A / B;

• Bibliografia.

Auditoria de certificação

O processo para obter a FSSC/ISO 22.000 é semelhante ao das ISO 9001, que é referente a otimização de processos e maior agilidade no desenvolvimento de produtos e produção, e da ISO 14.001, o Sistema de Gestão Ambiental focado em desenvolver uma estrutura para a proteção do meio ambiente.

Todas elas podem ser conquistadas por qualquer organização, independente do porte da empresa.

A empresa interessada em obter essa certificação de segurança alimentar deve primeiro implementar as normas.

A gestão da organização precisará rever todos os processos de da cadeia de produção para adequá-los aos padrões exigidos pelo Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos (SGSA).

Após isso, um órgão certificador independente, que seja filiado à ISO, fará uma auditoria externa da empresa.

A auditoria irá atestar a conformidade dos processos às normas da FSSC/ISO 22.000. Se atestada, a empresa recebe a certificação da normativa.

Com isso, ela passa a ser considerada segura para o consumo dos clientes e recebe reconhecimento de milhões de outras organizações, que também utilizam a FSSC/ISO 22.000, como padrão para seleção de fornecedores.

Entretanto, a empresa também poderá apresentar desconformidade impeditiva e, dessa forma, não receberá o certificado da FSSC/ISO 22.000. Mas, para benefício da organização, o órgão certificador emitirá um relatório que aponta os erros encontrados na cadeia de produção de alimentos.

Para assim, poder realizar as correções que serão reavaliadas em uma segunda auditoria.

Vale destacar que, após a aprovação da auditoria, a certificação da FSSC/ISO 22.000 tem validade de três anos. Neste período, o órgão certificador poderá realizar auditorias de acompanhamento anuais ou semestrais, desde que siga as melhores práticas da ISO 22000.

Esta ação visa garantir que a empresa certificada mantenha o padrão normativo internacional de segurança alimentar e, consequentemente, renove a FSSC/ISO 22.000 após o terceiro ano.

Melhores práticas da 22000 para indústria de alimentos

 

A globalização das melhores praticas da ISO 22000

Os processos de exportação e importação, que se tornaram possíveis com a globalização, possibilitam que diversos alimentos produzidos em diferentes localidades sejam disseminados pelo mundo.

A partir disso, houve a popularização das culinárias locais para a mesa de bilhões de pessoas que possuem outras nacionalidades, culturas e hábitos alimentares.

Com essa popularização, também vimos crescer a produção em massa dos alimentos. Consequentemente, houve a necessidade de padronizar os processos de qualidade para evitar que milhares de consumidores sejam afetados por um produto contaminado, por exemplo.

A nutricionista, Tatiana Jordão Pontes, fala da importância do compromisso com a segurança alimentar dos consumidores.

“O compromisso com a segurança alimentar deve ser uma prioridade, pois traz segurança ao consumidor de que ele está ingerindo um bom produto. Um alimento de qualidade, que não fará mal a ele e que não está perdido ou vencido. Isso porque ele foi bem preparado no solo, foi bem colhido, transportado e bem armazenado no local de compra. Então, se algo nessa cadeia não funcionar bem, o consumidor poderá ingerir um produto danoso a sua saúde. Por isso, há a necessidade de se enquadrar no FSSC/ISO 22.000”.

Estabelecer uma normativa internacional como as melhores práticas da ISO 22000 a contribui para a segurança alimentar em uma escala global.

De acordo com o superintendente do Procon Goiás, Alex Augusto Vaz Rodrigues, esta preocupação é uma prioridade dos órgãos reguladores brasileiros. Inclusive, a FSSC/ISO 22.000 facilita que a empresa obtenha a certificação de boas sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

“Então, essa certificação da FSSC/ISO 22.000 vem para contribuir na vigilância sanitária dos produtos alimentícios. Dando oportunidade ao cliente de consumir um alimento seguro e que respeita todas as normas sanitárias, sem trazer riscos para a saúde do mesmo”,

Além disso, é interessante que os órgãos estejam atentos a todo o processo, desde o “plantio à mesa” do consumidor.

Algumas dicas para as melhores praticas da ISO 22000

O empresário que deseja se enquadrar nas normas internacionais do Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos (SGSA) para obter a FSSC/ISO 22.000 deve seguir alguns passos.

“Primeiro, ele deve conhecer toda a cadeia produtiva ou da cadeia de processamento que existe na empresa. Por meio disso, a gestão poderá estabelecer projetos para alcançar a certificação”, afirmou o superintendente do Procon Goiás.

Ciente disso, é interessante que o gestor estabeleça uma equipe de segurança alimentar capacitada para monitorar e verificar os padrões da normativa dentro da organização.

Ela também deverá definir os métodos adotados para avaliar os riscos químicos, físicos e biológicos da produção do alimento e traçar ações para mantê-los dentro do limite aceitável.

Juntamente a isso, deve-se definir um Programa de Pré-Requisitos (PPR’s). Este inclui a higienização das mãos, atividades de limpeza, saneamento, lavanderia de roupas de trabalho, controle de pragas, dentre outros.

É necessário que o programa seja divulgado com clareza e amplitude para todos os funcionários da empresa e, principalmente, haja estímulos para cumprir as normas.

Por fim, a organização precisa ter o compromisso com a revisão dos processos, atualização das melhores práticas da ISO 22000 e melhorias no sistema de gestão de segurança de alimentos.

Essas atitudes favorecem que a empresa alcance e mantenha a certificação da FSSC/ISO 22.000 e, com isso, garantirá os benefícios que ela traz para a fidelização dos consumidores, obtenção de fornecedores e consolidação no mercado.

Conclusão

Para concluir este artigo, vale ressaltar que a segurança e atenção para a saúde e higiene nas ultimas décadas nuca esteve em tanta evidencia como agora, reflexo de toda conscientização “forçada” por um vírus que pegou o mundo de surpresa.

O desafio para se manter em pé no meio do seguimento da indústria de alimentos neste período em que vivemos é grande e não é tarefa fácil, obter ajuda de meios otimizados para felicitar a implementação e manutenção das regas é um fator que pode ser de grande ajuda.

A tecnologia está cada vez mais avançada para suprir estas necessidades e ser uma aliada para obtenção das melhores práticas da ISO 2200 e de tantas outras normas existentes.

Você pode contar com o Docnix para alcançar melhores resultados de maneira otimizada, prática e adequada para a sua necessidade, para saber como podemos te ajudar, fale com a gente! 

Obrigado pela atenção, até breve.

 

Por, Isadora Martins

 

 

Jorge Pimenta

Copywriter, Coordenador de Marketing e Comunicação, em busca de um Brasil com mais qualidade #P1BMQ.

19.05.2021 | Auditoria | Documentos e Registros | Melhoria Contínua | Sistemas de Gestão e Normas

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