Gestão de Risco X Coronavírus: o que as empresas vão fazer?

Por 23 de março de 2020junho 29th, 2020Gestão da Qualidade
gestão de risco e coronavírus

O primeiro trimestre de 2020 vem sendo marcado por momentos de tensão mundial, por conta da pandemia causada pelo vírus Covid-19, pertencente à família do coronavírus. Os primeiros caso foram registrados em dezembro do ano de 2019, na cidade de Wuhan na China e, assim, foi espalhando para o resto do mundo. A OMS, diante do cenário de alto contágio da nova doença, declarou estado de emergência, sinalizando o alto risco a nível global. Como a gestão de risco e o Coronavírus podem ajudar as empresas a criarem uma excelente estratégia para sua melhoria.

Um risco global

Países fechando os portos, aeroportos e fronteiras, cidades inteiras sendo isoladas, centros comerciais fechados temporariamente, grandes eventos sendo cancelados ou adiados. O mundo entrou em quarentena e o impacto na economia dos países mais atingidos, como na China, Itália, Irã e Estados Unidos, começou a ser sentido no mundo corporativo. 

Como exemplo, o fato da China ocupar o 2º lugar no ranking da economia mundial, fez com que a queda de exportações e importações do país gerasse nas indústrias, inclusive a brasileira, falta de ativos e desvalorização de commodities. Mas o que as empresas podem fazer para superar uma possível recessão econômica e sair sem grandes prejuízos? Não há como evitar e correr dos riscos em situações como esta, mas amenizar os impactos é necessário e possível com uma boa gestão de riscos. 

Como a gestão de risco pode fazer diferença em meio a crise?

Segundo a ISO 31000, a gestão de riscos consiste em um conjunto de ações coordenadas e estruturadas estrategicamente com o objetivo de prevenir e controlar potenciais riscos dentro de uma organização. Para que ela alcance resultados positivos é preciso estar aliada a um sistema de gestão de qualidade. Não basta apenas considerar os custos x benefícios, mas deve-se prezar pela manutenção da seguridade e confiança dos serviços mesmo em cenários críticos.

Quando implementada, a gestão de riscos deve ser integrada a todos os processos organizacionais, sendo essencial em todas as tomadas de decisões. Dessa forma, grandes desastres e perdas de ativos materiais e humanos podem ser evitados. A exemplo de cenários de pandemias, temos em primeira instância os governos nas tomadas de decisões que terão um grande impacto em todos os setores. Como as ações de contenção e mitigação decretada pelos estados para achatar a curva de contágio do Covid-19 na população.

Erros como não classificar corretamente os riscos e não determinar as ações preventivas executando-as de forma efetivas podem gerar danos irreparáveis, como o que aconteceu com a Itália ao demorar identificar o nível de circulação do vírus no pais. Os níveis de contágio e morte, pelo coronavírus, atingiram níveis elevados, sobrecarregando o sistema de saúde pública. Sendo assim, é indispensável uma gestão de risco de qualidade em qualquer setor administrativo, projeto e empreendimento. Mas não fique esperando pelas autoridades para agir na iminência de riscos. Antecipe os cenários, trace estratégias e coloque em prática. 

Etapas de execução da Gestão de Risco 

O gerenciamento dos riscos de um projeto, segundo o Guia PMBOK, 6º edição, inclui “os processos de condução do planejamento, da identificação, da análise, do planejamento das respostas, da implementação das respostas e do monitoramento dos riscos em um projeto”.

As etapas de execução consiste em:

1º Planejar o Gerenciamento dos Riscos: Primeiro é preciso definir como irá conduzir as atividades do gerenciamento dos riscos, para isso é preciso compreender o contexto e fatores ambientais da organização. Reunir toda a documentação do projeto, buscar opiniões especializadas e assim construir um plano.

Identificar os Riscos: É o processo de identificação dos riscos individuais de cada área ou projeto da empresa e de documentar suas características. Ou seja, será feito um mapeamento e compreensão dos riscos

3º Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos: Neste processo é realizado a categorização dos níveis de importância dos riscos, através da avaliação de sua probabilidade de ocorrência e impacto, assim como outras características.

4º Realizar a análise quantitativa dos riscos: O processo de analisar e avaliar os impactos e os efeitos que podem ser causados pelos riscos; 

5º Planejar as Respostas aos Riscos: Nesta etapa é desenvolvido alternativas, seleção de estratégias e acordo de ações para lidar com a exposição geral de riscos, e também tratar os riscos individuais de cada projeto.

6º Implementar Respostas a Riscos: Os planos acordados de resposta aos riscos são colocados em prática.

7º Monitorar os Riscos: Essa é etapa já é iniciada com anterior, pois é preciso monitorar a implementação de planos acordados de resposta aos riscos, acompanhar riscos identificados, identificar e analisar novos riscos, e avaliar a eficácia do processo de risco ao longo do projeto.

Agora que você já sabe as etapas processuais para iniciar o gerenciamento de riscos na sua empresa, fique atento para não cometer os erros mais comuns cometidos na avaliação de riscos:

Não analisar todas as áreas

É muito comum que organizações priorizem uma área e negligencie outras.  A melhor sugestão é mapear os riscos em todas áreas internas e, também, externas. Tudo o que pode gerar algum dano físico, organizacional e processual deve ser considerado e gerenciado com a devida atenção. Por exemplo, priorizar apenas estratégias para evitar perdas de ativos materiais e não planejar ações que priorizem a saúde de seus colaboradores. O “home office” é um bom exemplo de ações que podem ser incentivadas pelas organizações em meio a uma pandemia. Dessa forma, os colaboradores ficam mais seguros, níveis de contágio dentro da empresa são suprimidos e as atividades não são encerradas.

Deixar de documentar a gestão de riscos

O gerenciamento de risco precisa ser documentado de forma completa. Desde o mapeamento, diagnósticos, soluções e etapas de implantação. É importante, também, documentar as incidências dos riscos e quando elas ocorrem. Caso futuramente haja a reincidência de um risco já enfrentado, a organização terá uma memória das ações que foram tomadas, se tiveram sucesso ou não, auxiliando no novo processo de tomadas de decisão visando melhorias.  Nesse processo ter um software para a gestão de riscos pode fazer toda a diferença e auxiliar na gestão de ocorrências.

Não dar continuidade

A organização traça todas as ações e etapas para o gerenciamento de risco, mas quando chega a hora de colocar em prática não dá continuidade. Se não houver a sua execução e manutenção, mitigando os riscos antigos e diagnosticando novos não será possível alcançar resultados esperados. 


Em meio a um mundo globalizado em que um vírus se torna multinacional podendo atacar economias e abalar a estabilidade de grandes e pequenas corporações, é preciso levar a sério a gestão de risco e observar se está utilizando as ferramentas corretas. Dessa forma, sendo ágil na gestão de risco dentro de sua organização, será possível transformar a realidade do seu negócio e, o mais importante, proteger pessoas.