Prazos e Mudanças da ISO 22000 – Parte 2

Por 16 de abril de 2020julho 6th, 2020Normas e Processos
Prazos e mudanças na ISO 22000

Se você ainda não leu a Parte 1 deste artigo, clique aqui e acesse. Nela falamos sobre os principais elementos e benefícios na implantação da ISO 22000. Neste artigo vamos tratar basicamente dos prazos e mudanças da ISO 22000.

Em 2018 foi lançada uma nova versão da ISO 22000, substituindo a de 2005. A mudanças atendem a necessidade de um mercado que está cada vez mais exigente por produtos com excelente qualidade e segurança. A partir da publicação, as organizações têm um prazo de três anos para fazer as mudanças e se adequar as atualizações da certificação. Então, fique atento! A versão de 2005 deixa de ser válida no dia 18 de junho de 2021.

O que se deve fazer para adequar a nova versão da certificação?

Quando nos deparamos com uma nova atualização, pode ser difícil saber por onde começar. É importante ter bem claro as ações necessária para pode fazer uma transição com sucesso. Para isso, existem procedimentos essenciais que devem ser executados na fase da implantação:

1° Conhecer e entender os novos requisitos: não tem como ser aplicada as mudanças se não há o conhecimento do que foi alterado na certificação. Identifique as novidades e conheça bem a nova versão.

Autoavaliação do cenário da empresa em relação às exigências da certificação: Caso a sua organização já seja certificada com a ISO 22000:2005, será necessário verificar quais procedimentos estão conforme a nova ISO e quais precisam ser mudados ou acrescentados. Da mesma forma para aqueles que estão implantando pela primeira vez.

3° Definir um plano de ação para implantar as mudanças: Depois de identificada as mudanças na etapa anterior, deve-se construir um plano de ação, sistematizando passo a passo os procedimentos para a adequação.

4° Executar o plano de ação: Nesta fase, treinamentos e capacitação dos colaboradores serão ferramentas essenciais para o sucesso na transição. Uma equipe bem informada e ciente das mudanças fará toda a diferença.

5° Realizar uma auditoria interna para verificar se as mudanças foram aplicadas de forma eficaz: Essa etapa é muito importante, pois de nada adianta ter um belo plano de ação se na prática não funciona. Identificado uma não-conformidade, repense os processos e o que precisa ser feito para que o item esteja adequado. Mas se tudo estiver de acordo com os requisitos da certificação é hora de ir para o próximo passo.

6°Agendar auditoria com o organismo responsável pela certificação: a data da auditoria pode demorar dias ou até meses, mas sua organização já deve estar funcionando como se já estivesse certificada.

Os procedimentos citados acima, são fundamentais e, também, podem ser aplicados na implantação e transição de outras certificações. 

Principais mudanças na ISO 22000

Em entrevista concedida a revista especializada em insumos para alimentos e bebidas, Aditivos & Ingredientes, o diretor de Certificação da América Latina do Grupo Bureau Veritas, José Cunha, destacou as principais mudanças da nova ISO 22000.  Segundo o diretor, se destacam:

  • Adoção do Anexo SL: o Texto e Estrutura de Alto Nível comum a todos os padrões do sistema de gestão ISO, tornando mais fácil para as organizações combinar a ISO 2000 com outros sistemas de gestão como ISO 9001 (Qualidade) ou ISO 14001(Ambiental), economizando tempo e dinheiro;
  • Gestão de Riscos: a organização deve determinar, considerar e tomar medidas para tratar de quaisquer riscos no nível operacional – Plano de Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) e no nível estratégico do sistema de gestão de segurança de alimentos, sob a perspectiva de negócios; A organização deve identificar, revisar e atualizar informações relacionadas a essas questões externas e internas;
  • Reforço da ênfase no compromisso de liderança e gestão: novas demandas para engajar e responsabilizar-se ativamente pela eficácia do sistema de gestão e assegurar a comunicação à organização para apoiar melhorias contínuas;
  • Introdução de ciclos de do método Planejar-Fazer-Verificar-Agir (Plan-Do-Check-Act-PDCA) em dois níveis, tendo dois ciclos separados trabalhando juntos na norma, um cobrindo o sistema de gestão e outro cobrindo os princípios de APPCC;
  • É dada uma descrição clara das diferenças entre termos chave, tais como: Pontos Críticos de Controle (PCCs), Programas Operacionais de Pré-Requisitos e Programas de Pré-Requisitos (PPRs);
  • O plano APPCC e PPR Operacional são reunidos em um Plano de Controle de Riscos com critérios de ação a serem definidos para os PPRs Operacionais e PCCs identificados;
  • A validação das medidas de controle deve ser documentada e conduzida antes da implementação do plano APPCC;
  • Controle de processos, produtos ou serviços fornecidos externamente, introduzindo a necessidade de controlar os fornecedores de produtos, processos e serviços (incluindo processos terceirizados) e assegurar a comunicação adequada de requisitos relevantes, para atender aos requisitos do sistema de gestão de segurança de alimentos; 
  • Eficácia das ações tomadas para abordá-las, oportunidades de melhoria contínua, adequação de recursos, etc.” (CUNHA, 2018, p. 9-10)

As mudanças citadas acima tem o objetivo de trazer melhorias e eficiência para a indústria de alimentos e bebidas. Dessa forma, o consumidor é beneficiado com produtos que, a cada dia, alcançam um maior patamar de qualidade. Os prazos e as mudanças da ISO 22000, se bem observados, podem garantir processos bem adequados e uma gestão mais estratégica.

Referências:

CUNHA, José. A NOVA ISO 22000:2018 PARA SEGURANÇA ALIMENTAR. Revista Aditivos & Ingredientes.  N°143. p. 8-10. Out. 2018. Disponível em: https://aditivosingredientes.com.br/revistas//outubro2018/mobile/index.html#p=9

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