A globalização vem desencadeando uma série de transformações no mundo gerando assim uma eminente Crise Planetária.

A consciência de que vivemos todos em um mesmo planeta, no entanto, parece não ser suficiente para lidar e resolver os problemas que ameaçam a existência da Terra e do próprio ser humano. 

Acompanhe o artigo e vamos entender um pouco mais sobre a crise planetária. 

Aumento da população e a pobreza 

No fim do ano de 2016 o mundo chegou a 7 bilhões de pessoas caminhando sobre o solo. Essa marca acendeu o alerta das autoridades que já vêm em busca de soluções para a resolução de diversas questões envolvendo a pretendida sobrepopulação. 

Naturalmente, o aumento irrefreável da população mundial dificulta diversas políticas que visam garantir as metas estabelecidas pela ONU, Organização das Nações Unidas, para a melhora da qualidade de vida mundial. 

No entanto, os desafios para o combate à falta de segurança social vão muito além da quantidade de seres humanos sobre o planeta. 

Pode-se dizer que este é um problema restrito a alguns países em desenvolvimento, e, sim, impacta o mundo inteiro. No entanto, também não se pode afirmar que a pobreza é uma consequência direta dela. 

A disparidade de qualidade de vida entre os países ricos e pobres, a discrepância das condições entre cidadãos das diversas classes sociais deixa isso patente. 

De forma geral não se pode reduzir a questão à sentença: “não há comida para todos” ou “não há riqueza para todos”. O problema maior é, sem dúvida, a falta de políticas eficazes de distribuição de renda e que promovam a segurança social. 

Um relatório da ONU aponta para o valor que seria necessário para garantir a alimentação de todas as pessoas em risco alimentar no mundo. Segundo ele, para acabar com a desnutrição, seria necessário a quantia de 7 bilhões de dólares por ano. 

Não parece cifras tão altas ao se considerar o fim de um dos problemas mais graves da modernidade. 

No entanto, esse valor também não garantiria soluções permanentes.

Para isso, seria necessário o estabelecimento de infraestruturas, educação agrícola, resolução de conflitos locais e diversas outras questões. Nesse caso, o orçamento necessário chegaria a 260 bilhões de dólares ano. 

Com essa verba, no entanto, seria possível uma virada, ao menos, para a maior parte dos países que vivem com habitantes abaixo da linha da pobreza, garantindo recursos necessários para que se consolidassem sistemas próprios para a conquista da segurança social. 

Uma das formas de fazer isso seria aplicando os recursos para a conciliação entre as necessidades de preservação ambiental e produção de alimentos. Pois, não faltam alimentos no mundo, o que falta são meios para muitas populações produzirem seus próprios alimentos. 

A ciência comprova  

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que na maioria das nações, durante as últimas décadas, para cada 1% de aumento da população, nós atingimos um pouco mais de 1% no aumento de emissões.  

E isso acontece principalmente nos países mais ricos, onde estão concentrados cerca de 86% do consumo mundial (bem diferente dos países mais pobres, que respondem apenas a 1,3% do total).  

Outro estudo norte-americano, da Universidade do Estado de Washington, também aponta as nações mais prósperas como as principais responsáveis pelas alterações climáticas.  

Essas economias emitem GEE per capita correspondentes ao dobro daquelas dos países em desenvolvimento. 

A tendência é que aumente o número de consumidores nos países em desenvolvimento nos próximos anos.  

De acordo com previsões do Banco Mundial, até 2030, mais de 1 bilhão de pessoas que vivem nessas nações vão passar a fazer parte da classe média global (em 2005 eram 400 milhões).  

Isso significa que, se eles seguirem o mesmo modelo de consumo dos países ricos que produzem e consomem produtos em excesso e com muito desperdício. 

Queimam combustíveis derivados de petróleo em seus carros e no transporte de cargas. 

Os impactos sobre os recursos naturais do planeta e as emissões de dióxido de carbono na atmosfera podem ser desastrosos. 

Crise Planetária

Agricultura e meio ambiente não precisam ser inimigos 

De forma geral, a produção de alimentos, da forma como é feito atualmente, impacta severamente ao meio ambiente e também não contribui para a erradicação da fome no mundo. 

Ela foi a atividade humana que mais alterou a natureza, sendo responsável por cerca de 80% da perda de habitats naturais, 24% da emissão de gases do efeito estufa e logo contribuindo também para as alterações climáticas. 

Além disso, um dos pontos mais drásticos da agricultura é seu uso de água doce. Estima-se que cerca de 80% da água doce consumida no mundo é destinada à agricultura. 

Um triste exemplo disso, pode ser visto no Chile, em localidades com dificuldades de água, as irrigações para a produção de abacate secaram lagos e rios.

Essa situação simplesmente impediu que pequenos agricultores continuassem seu trabalho e garantisse a sobrevivência de suas famílias. 

Felizmente existem soluções que visam a diminuição desses problemas e também uma produção mais inteligente e eficiente de alimentos.

Assim, surgem diversas alternativas na agricultura que se colocam de forma mais sustentável e vão desde práticas que associam o cultivo aos ambientes florestais, até a chamada agricultura regenerativa. 

No entanto, apesar do desenvolvimento e implementação dessas novas práticas, elas ainda estão muito aquém das necessidades alimentares do mundo, de forma que provavelmente ainda irão levar um bom tempo para se tornarem a regra nas plantações e criações. 

Mudanças climáticas e produtividade agrícola 

Desde o período pré-industrial até agora, houve um aumento de 1,1°C na temperatura média do Planeta.  

De acordo com levantamento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas o IPCC, Intergovernmental Panel on Climate Change) publicado no dia 9 de agosto de 2021, caso não haja uma redução considerável nas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, a temperatura da Terra pode subir entre 1,5°C a 2°C no século 21.  

Os dados começaram a ser coletados e sistematizados em 1950 já se pensando em uma possível crise planetária. 

Conforme relatório da empresa de seguros Swiss Re, caso o aumento da temperatura média planetária seja de 2ºC, a economia global pode perder 10% do PIB até 2050.  

Caso o aumento seja de 2,6°C, a redução seria de 14%; por fim, se o aumento for de 3,2ºC, as perdas econômicas chegariam a 18%. 

Mudanças climáticas, economia e a sociedade 

A mudança climática não é apenas uma séria ameaça para o planeta e as pessoas, é também um perigo para a economia mundial.  

Trata-se de um problema que exige a colaboração entre o setor público e o privado a fim de transformar o modelo produtivo para em que garanta e impulsione o desenvolvimento e o crescimento econômico sustentável. 

Além de seu grave impacto no meio ambiente e nas pessoas, a mudança climática também é uma das maiores ameaças para a estabilidade econômica.  

As ondas de calor reduzem a capacidade de trabalho e a produtividade. Os furacões, ciclones e tufões deixam milhões de pessoas na mais absoluta pobreza após arrasar cidades com total indiferença.  

As secas reduzem as colheitas, dificultando cada vez mais a árdua tarefa de alimentar uma população mundial que chegará a 10 bilhões de pessoas em 2050 (Perspectivas da População Mundial 2019, ONU).  

O Banco Mundial adverte: se não adotarmos medidas de caráter urgente, os impactos causados pela mudança climática poderão levar mais 100 milhões de pessoas à pobreza até 2030, uma crise planetária. 

Resíduos e consumo 

Um dos problemas inerentes à crise planetária é o do consumo e dos resíduos de sua utilização e produção. 

Se por um lado existe a necessidade de aumentar o consumo em países em desenvolvimento e ao mesmo tempo diminuir os níveis em locais desenvolvidos, equilibrando essa balança.

Também é preciso promover um uso mais eficiente e consciente dos produtos. 

Para a pesquisadora Silmara Gonçalves Dias o problema está estreitamente associado à percepção do consumidor em relação às escolhas diárias de consumo. 

Segundo ela, o cidadão comum tem dificuldades em reconhecer o impacto que seu consumo gera para o planeta. 

Além disso, ela ainda aponta para o cenário como relativamente pessimista de forma que as intervenções e tecnologias ainda não conseguiram trazer modificações positivas para a questão.

A autora resume ironicamente “estamos apenas empurrando o lixo para debaixo do tapete”. 

No entanto, no que se refere a produção de resíduos esbarramos na raiz do mesmo problema que leva a desigualdade social e de distribuição de renda. 

 

Segundo a ONU, atualmente, os sete bilhões de pessoas no mundo produzem cerca de 1,4 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos.

No entanto, também não podemos dizer que toda a população mundial participa da mesma maneira desse processo. 

Uma grande parte desses resíduos, quase a metade deles, é gerada apenas pelos 30 países mais ricos do mundo. 

Embora esses números já pareçam assustadores, a perspectiva da ONU para o futuro não é nada otimista. Segundo a organização, se continuarmos no mesmo ritmo, em 2050 serão gerados, anualmente, cerca de 4 bilhões de toneladas de lixo urbano. 

Felizmente existem soluções para a resolução de todos esses problemas, porém elas exigem um maior envolvimento dos cidadãos e a tomada de responsabilidade geral.

Por outro lado, se isso não acontecer o futuro da humanidade e do planeta parece um tanto sombrio. 

A responsabilidade é de todos 

A responsabilidade pela preservação dos equilíbrios do meio natural é comum a todos habitantes do planeta para assim evitar ao máximo uma crise planetária.  

Porém, essa responsabilidade é diferenciada e não se estende apenas às populações dos países ricos.  

Ela deve também alcançar os grupos sociais ricos dos países pobres.

Os segmentos da população que se apropriam da maior quantidade e volume de matérias primas e de energia são os principais agentes da desregulação ecológica.  

É necessário reduzir o uso desse substrato natural sobre o qual repousa a qualidade de vida material de parte da população.  

Trata-se da questão ecológica central para conter o aquecimento global, fenômeno que exige medidas muito mais urgentes do que controle da população, ainda que a sua redução ou estabilização seja necessária. 

A humanidade está diante de uma impossibilidade física, química, biológica de manter o padrão de produção e consumo e ao mesmo tempo dar continuidade ao processo de inserção dos 3,0 bilhões de habitantes à sociedade termo industrial. 

Ainda dá tempo de tentar mudar a crise planetária?

Apesar das reticências iniciais da comunidade empresarial, cada vez mais estudos e atuações demonstram que as medidas destinadas a combater o aquecimento global são uma oportunidade de ouro para garantir o desenvolvimento sustentável e impulsionar o crescimento econômico.  

Tal como explica a Comissão Mundial sobre a Economia e o Clima em um relatório do final de 2018, a adoção de medidas de ação climática ambiciosas poderia gerar um lucro econômico de 26 bilhões de dólares até 2030, assim como 65 milhões de novos empregos com baixas emissões de carbono. 

De acordo com este relatório, para construir um modelo de crescimento mais resiliente e benéfico para as pessoas devemos acelerar a transformação estrutural em cinco setores-chave da economia: 

Sistemas de energia limpa 

A descarbonização dos sistemas de energia combinada com tecnologias de eletrificação descentralizadas e disponibilizadas digitalmente pode proporcionar acesso a serviços de energia modernos para 1 bilhão de pessoas que atualmente não dispõem dela. 

Desenvolvimentos urbanos mais inteligentes 

Cidades mais compactas, conectadas e coordenadas economizariam 17 bilhões de dólares até 2050 e estimulariam o crescimento econômico melhorando o acesso ao trabalho e à habitação. 

Uso sustentável da terra 

A mudança para formas de agricultura mais sustentáveis combinadas com uma importante proteção florestal poderia gerar um lucro econômico que se situaria ao redor de 2 bilhões de dólares por ano. 

Gestão inteligente da água 

As regiões com escassez de água poderiam registrar uma queda em seu PIB que poderia chegar a 6% até 2050. Isso pode ser evitado usando a água de forma mais eficiente através de melhorias tecnológicas e do investimento em infraestrutura pública. 

Economia circular industrial 

Hoje, 95% do valor do material de embalagem de plástico até 120 bilhões de dólares anuais é inutilizado após o primeiro uso. Políticas que fomentem um uso mais circular e eficiente dos materiais poderiam melhorar a atividade econômica mundial e reduzir os resíduos e a poluição. 

Neste link você pode conhecer mais sobre a Economia Circular.

Chegamos ao fim do nosso artigo, e fica o ponto de reflexão sobre como podemos evitar a crise planetária ou pelo menos tentar minimizar os efeitos negativos e os riscos que podemos correr.

Se você gostou deste artigo, pode continuar pesquisando por esse e por outros temas em nosso blog. 

 

Jorge Pimenta

Copywriter, Coordenador de Marketing e Comunicação, em busca de um Brasil com mais qualidade #P1BMQ.

03.12.2021 | crise planetária | economia verde | Melhoria Contínua | ONU | Riscos, GRC, ESG

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