O Mapa de Riscos é uma prática essencial para garantir a segurança no ambiente de trabalho. Este instrumento permite identificar de maneira gráfica os diferentes riscos aos quais os colaboradores estão expostos em seus respectivos setores. Assim, por meio da identificação e classificação desses riscos, as empresas podem adotar medidas preventivas mais eficazes, reduzindo a incidência de acidentes e doenças ocupacionais. A facilidade de visualização a torna educativa, o que é importante pois ajuda a conscientizar os trabalhadores sobre os perigos presentes em seu ambiente de trabalho. 

O que é mapa de riscos?

O Mapa de Riscos é um método de regulamentação e gestão de segurança do trabalho que visa identificar e comunicar os diversos riscos presentes em um ambiente laboral, elaborada a partir de um mapeamento detalhado de toda a empresa, identificando pontos que podem apresentar ameaças à saúde ou segurança dos trabalhadores.

Nesse sentido, ele é recomendado pelo Ministério do Trabalho, o Mapa de Riscos é crucial para a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), auxiliando na identificação preliminar de possíveis riscos e na implementação de ações rápidas de controle adequadas. Além disso, a regulamentação promove uma gestão mais proativa da Segurança e Saúde do Trabalho (SST), padronizando a comunicação sobre os riscos ocupacionais e seus níveis de exposição, pois, ao entenderem melhor os riscos, os trabalhadores podem seguir procedimentos de segurança mais rigorosos e contribuir para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. 

Embora a obrigatoriedade do Mapa de Riscos tenha sido flexibilizada pela Portaria MTP nº 422 de 2022, ele continua sendo um recurso valioso para a gestão de segurança e saúde no trabalho. Dessa forma, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) pode utilizá-lo para identificar e listar os riscos presentes, além de definir as medidas preventivas adequadas. Assim, o Mapa de Riscos ajuda na construção de uma gestão proativa de SST, estabelecendo uma comunicação padronizada sobre os fatores de risco e os níveis de exposição dos trabalhadores. 

Ferramentas de Gestão e Qualidade

Objetivos do mapa de riscos:

O  principal objetivo do mapa de riscos é alertar os colaboradores sobre os riscos existentes em seus ambientes de trabalho, bem como facilitar a elaboração de procedimentos de segurança eficazes, atuando como um guia visual que ajuda na identificação de áreas críticas, permitindo que a empresa implemente ações específicas para mitigar esses riscos rápida e eficazmente.

Dessa forma, em última instância, o mapa de riscos contribui para a criação de um ambiente de trabalho mais seguro, prevenindo acidentes, promovendo a saúde ocupacional e desempenhando, inclusive, por sua compreensão e visualização facilitada, um papel crucial na educação dos trabalhadores sobre os perigos aos quais estão expostos e as precauções necessárias. 

Além disso, um mapa de riscos pode:

  • Estimular Análise de Risco do Trabalho (ART): Facilitar a elaboração da Análise de Risco do Trabalho ao fornecer informações documentadas sobre os riscos identificados. 
  • Incentivar a participação de todos nas atividades de prevenção: Promover a colaboração entre todos os colaboradores na identificação e prevenção de riscos, tornando a segurança uma responsabilidade coletiva. 
  • Divulgar e alertar quanto aos riscos existentes em cada ambiente de trabalho: Conscientizar os trabalhadores sobre os riscos ambientais e divulgar as medidas de prevenção necessárias para evitar acidentes e doenças ocupacionais. 

Leia também: ISO 45001 – Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional

Como montar um mapa de riscos?

Os riscos são classificados por tipos, diferenciados por cores distintas no infográfico, e a gravidade de cada um é demonstrada por meio de círculos de tamanhos variados. Dessa forma, ele proporciona uma visualização clara e imediata dos perigos potenciais, facilitando a conscientização tanto da gestão quanto dos trabalhadores e a consequente implementação de medidas preventivas. 

 Elementos do mapa de riscos: 

O Mapa de Riscos deve conter três elementos principais:

01 – Tipo de risco representado por cor: 

  1. Verde: Riscos físicos como ruídos, vibrações, calor, frio, pressão anormal e radiações. 
  2. Vermelho: Riscos químicos como poeiras, gases, vapores e fumos. 
  3. Marrom: Riscos biológicos como vírus, bactérias e fungos. 
  4. Amarelo: Riscos ergonômicos como má postura, movimentos repetitivos e esforços físicos. 
  5. Azul: Riscos de acidentes como quedas, choques elétricos e incêndios. 

02 – Nível de Risco Representado pelo Tamanho do Círculo: 

  1. Círculo Pequeno: Indica um risco baixo ou médio que já está controlado. 
  2. Círculo Médio: Indica um risco relevante que pode ser controlado com medidas adequadas. 
  3. Círculo Grande: Indica um risco alto que não pode ser completamente controlado, representando uma ameaça significativa à vida e à saúde dos trabalhadores. 

03 – Número de Trabalhadores Expostos ao Risco:

Cada risco identificado no mapa deve especificar quantos trabalhadores estão expostos àquele risco, permitindo uma análise mais detalhada e direcionada das medidas de prevenção necessárias. 

04 – Os diferentes tipos de riscos:

  • Risco Físico: Eles incluem fatores como ruído, vibração, calor, frio, pressão, radiação ionizante e não-ionizante, e umidade. Dessa forma, estes riscos podem causar danos significativos à saúde dos trabalhadores, variando desde perda auditiva até problemas de pele e doenças ocupacionais. 
  • Risco Químico:  Exemplos incluem poeira, gases, névoa, neblina, vapor e fumo. Assim, exposição a esses agentes pode resultar em intoxicações agudas ou crônicas, alergias e outras doenças graves, dependendo da toxicidade e do tempo de exposição. 
  • Risco Ergonômico: Eles abrangem movimentos repetitivos, má postura, levantamento e transporte de peso, esforço físico e turnos extensos. Nesse sentido, esses fatores podem levar a doenças osteomusculares, problemas de coluna e outras lesões relacionadas ao trabalho. 
  • Risco Mecânico: Exemplos incluem iluminação inadequada, incêndio e explosão, eletricidade, máquinas e equipamentos, ferramentas e objetos, e quedas. Dessa forma, esses riscos são comuns em indústrias e ambientes de construção, onde o manuseio de máquinas pesadas e ferramentas afiadas é rotineiro. 
  • Risco Biológico: Eles incluem exposição a microrganismos como bactérias, vírus, fungos, protozoários, insetos, pragas e parasitas. Portanto, trabalhadores de setores como saúde, biotecnologia e laboratórios estão particularmente vulneráveis a esses riscos, que podem levar a infecções e doenças contagiosas. 
  • Risco de Acidentes: Riscos de acidentes incluem situações que podem levar a incidentes como quedas, cortes, esmagamentos e queimaduras. Assim, esses riscos são comuns em indústrias e ambientes de construção, onde o manuseio de máquinas pesadas e ferramentas afiadas é rotineiro. Além disso, a prevenção envolve treinamento adequado e uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). 

05 – Níveis de riscos: 

  • Grau de Risco Elevado: O grau de risco elevado é indicado por um círculo grande no mapa de riscos. Este nível de risco representa uma ameaça significativa à saúde e segurança dos trabalhadores, podendo resultar em morte, mutilações ou doenças graves. Nesse sentido, os riscos elevados geralmente não podem ser neutralizados e frequentemente não possuem mecanismos de controle ou redução. 
  • Grau de Risco Moderado: Representado por um círculo médio, o grau de risco moderado indica que o risco é relevante, mas pode ser controlado com as medidas adequadas. Dessa forma, esse nível de risco ainda requer atenção e monitoramento constante para garantir que as medidas de controle sejam eficazes. 
  • Grau de Risco Leve: Os riscos leves são indicados por um círculo pequeno no mapa de riscos. Estes representam riscos pequenos ou médios que já estão controlados. Embora sejam menos graves, ainda é importante monitorar esses riscos para garantir que eles permaneçam sob controle e não aumentem de gravidade.

Montando o mapa de riscos:

Agora que você já sabe os principais elementos do mapa de riscos, chegou a hora de entender o passo a passo para montar essa ferramenta. Dessa forma, essa atividade requer a coleta e análise de diversos dados da empresa, sendo um processo qualitativo e participativo, conforme etapas a seguir: 

01 – Coletar Informações: 

  • Instalações: Detalhar todas as instalações da empresa, incluindo áreas de trabalho, descanso, cozinha, banheiros e estacionamento. 
  • Atividades Executadas: Listar todas as atividades realizadas pelos funcionários, independentemente do risco associado. 
  • Equipamentos e Produtos: Catalogar todos os equipamentos, máquinas, ferramentas e materiais utilizados. 
  • Substâncias: Identificar substâncias químicas ou materiais perigosos que possam estar presentes. 
  • Legislação: Verificar quais Normas Regulamentadoras (NRs) se aplicam à empresa. 
  • Histórico de Acidentes: Mapear ocorrências de acidentes anteriores na empresa ou no setor. 
  • Levantamentos Ambientais: Utilizar levantamentos ambientais já realizados e, se necessário, realizar novos estudos. 

02 – Analisar Riscos: 

  • Identificação de Riscos: Classificar os riscos em físicos, químicos, ergonômicos, biológicos e de acidentes. 
  • Avaliação de Medidas Preventivas: Avaliar as medidas de proteção coletiva, individual e de higiene já existentes. 
  • Queixas e Doenças Profissionais: Considerar as queixas comuns e as doenças profissionais diagnosticadas entre os funcionários. 
  • Mapeamento e Representação: 
  • Representação Gráfica: Utilizar círculos e cores para representar os diferentes tipos e níveis de risco. 
  • Participação dos Colaboradores: Incluir os trabalhadores no processo de identificação dos riscos para um diagnóstico preciso. 
  • Visibilidade: Disponibilizar o mapa de riscos em locais visíveis a todos, como corredores e áreas de grande circulação. 

03 – Continuidade e Atualização: 

  • Revisão Regular: Atualizar o mapa de riscos regularmente para refletir mudanças nos processos e no ambiente de trabalho. 
  • Educação Contínua: Manter os colaboradores informados sobre os riscos e as medidas de prevenção, incentivando a participação ativa na segurança do trabalho.

Não se Esqueça dos GHEs! 

Além disso, outro ponto crucial a ser explorado no mapa de riscos é o conceito de Grupo Homogêneo de Exposição (GHE). Dessa forma, o GHE refere-se a um conjunto de trabalhadores que são expostos aos mesmos tipos de riscos devido a características de perfil semelhantes. Assim, esses grupos podem ser definidos pela natureza do serviço, contato com determinados agentes de risco, uso de equipamentos, entre outros.  

A criação de GHEs é essencial para entender as variáveis comuns em cada grupo e, assim, implementar medidas preventivas mais eficazes. Nesse sentido, os dados para formar os GHEs podem ser obtidos por meio do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), auxiliando na gestão da segurança do trabalho e na elaboração de um mapa de riscos abrangente e preciso. 

 É obrigatório adotar o mapa de riscos?

Embora a recente alteração na legislação tenha desobrigado a elaboração do mapa de risco, a NR 05 ainda determina que ele deve ser elaborado em empresas com ambientes que apresentem riscos aos trabalhadores e visitantes.

Nesse sentido, a ausência do Mapa de Risco em locais visíveis não acarreta penalidades específicas, mas o descumprimento de outras obrigações relativas à segurança do trabalho pode resultar em multas e até suspensão das atividades, sendo essencial que as empresas cumpram todas as normas de segurança para evitar sanções e garantir a integridade dos colaboradores. 

Quer automatizar a gestão de riscos?

Mitigar riscos à saúde, a segurança e a natureza é um dos requisitos para a conformidade de várias normas que tratam de gestão e qualidade. Com o nosso Módulo Ambiental, é possível acompanhar os riscos, e as informações colhidas por meio de gráficos e relatórios.

Além de atender às normas ISO 14001 e ISO 45001, o Módulo Ambiental conta com um checklist de medidas tomadas, com controle operacional sobre os responsáveis pela ação de checagem e  acompanhamento das medidas tomadas pela empresa para o atendimentos das normas. Clique aqui e solicite uma demonstração!

Benefícios e vantagens do mapa de riscos:

  • Identificação de riscos;
  • Prevenção de acidentes;
  • Conscientização dos colaboradores 
  • Conformidade legal;
  • Gestão eficaz da segurança;
  • Melhoria contínua;
  • Engajamento dos colaboradores;
  • Redução de custos;
  • Melhoria da imagem corporativa;
  • Facilitação da comunicação;
  • Avaliação de procedimentos; 
  • Promoção da cultura de segurança.

Em suma, o mapa de riscos é fundamental para a segurança no trabalho, facilitando a identificação de riscos e a implementação de medidas preventivas. Dessa forma, ao promover a conscientização e o engajamento dos colaboradores, ele contribui para um ambiente mais seguro e saudável, sendo indispensável a empresas sérias e comprometidas, cientes do seu impacto nas vidas que a compõem e sua responsabilidade social. 

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