Como bem se sabe, a Gestão da Qualidade é um pilar fundamental para organizações que buscam excelência em seus processos e produtos. Seja para atender a requisitos normativos, como a importante certificação ISO 9001, ou simplesmente para aprimorar continuamente suas práticas, lidar eficazmente com não conformidades é um aspecto crítico e delicado desse cenário. O registro de uma não conformidade não é apenas uma obrigação ou uma mera falha documentada, é um valioso recurso que serve como histórico, potencial de melhoria e fonte de conhecimento, se tornando um guia indispensável para enfrentar recorrências ao longo do tempo e alimentando um ciclo virtuoso de melhoria contínua. Na jornada da qualidade, o Relatório de Não Conformidade é uma bússola, um guia estratégico, em que em cada desafio reside a chance de aprimoramento.

Nesse contexto, compreender como estruturar e organizar um Relatório de Não Conformidade (RNC) é algo essencial. Este relatório, para além de um documento burocrático, é um reflexo detalhado de eventos ocorridos dentro da organização que, por alguma razão, evidenciam desajuste com os padrões de qualidade estabelecidos. Por meio do registro minucioso de problemas e suas soluções, o relatório proporciona uma identificação precoce de não conformidades em próximas oportunidades, aparatando a empresa com informações essenciais para aprimorar seus processos e garantir a consistência na entrega de produtos e serviços de alta qualidade, bem como reforçar uma cultura de melhoria contínua.

Relatório de Não Conformidade: que é e para que serve

O relatório de não conformidade (RNC), em resumo, é um documento essencial que reúne em si todas as informações relacionadas a desvios identificados nos processos de uma organização. Abrangendo desde a descrição detalhada de cada desvio até as ações corretivas implementadas e a subsequente avaliação da eficácia das medidas tomadas, o RNC formaliza o processo de gerenciamento completo do ciclo de não conformidades. Esse registro é uma peça-chave no processo de gestão da qualidade, fornecendo uma trilha transparente desde a origem da não conformidade até sua resolução, desempenhando, portanto, um papel importante ao documentar todo o processo, essencial para que sejam possíveis melhorias e aprimoramento contínuo nos procedimentos organizacionais, promovendo a conformidade.

Assim, o relatório desempenha um papel duplo, atuando como um registro abrangente das falhas detectadas durante a inspeção e como uma plataforma para a catalogação e sugestão de medidas corretivas. Ao consolidar as análises dos problemas identificados, o documento não apenas armazena essas informações de maneira organizada, mas também fornece orientações valiosas, figurando como uma ferramenta essencial para o aprimoramento da qualidade e eficiência operacional, permitindo que as organizações aprendam com as experiências passadas.

Originado geralmente de auditorias ou inspeções, esse documento concentra todas as análises dos problemas detectados, proporcionando uma visão abrangente das áreas que requerem atenção. A não conformidade, neste contexto, representa a discrepância em relação aos padrões estabelecidos, seja em certificações externas ou em requisitos internos.

Como Elaborar um Relatório de Não Conformidade

Na busca por resultados sólidos e alcance de objetivos, a observância atenta aos procedimentos e processos é fundamental, assemelhando-se à necessidade de seguir as instruções do manual para garantir o bom funcionamento de um aparelho ou utilitário. A elaboração do relatório de não conformidades não foge a isso, pois, assim como um aparelho requer cuidados e atenção para desempenhar suas funções de maneira eficiente, a estruturação do relatório de não conformidade demanda um processo cuidadoso e organizado.

Essa elaboração, em linhas gerais, pode ser executada em quatro etapas fundamentais, delineando um caminho estratégico para identificar, analisar e tratar não conformidades de forma eficaz, sendo elas:

1. Descrição da não conformidade:

Ao detectar uma não conformidade, é preciso documentar detalhadamente o ocorrido. Essa seção deve conter informações como a descrição clara do fato, os requisitos externos ou internos infringidos, o local e a data da ocorrência, os processos afetados e a autoridade responsável pelas ações relacionadas à não conformidade. Inclua campos identificadores, como equipamento ou situação verificados, no topo do relatório. Esses elementos formam a base para uma compreensão abrangente do incidente.

2. Descrição das ações de correção ou concessões:

A resposta imediata a uma não conformidade é a correção. Todas essas medidas, com suas respectivas evidências, responsáveis e prazos, devem ser detalhadamente descritas no relatório. Caso haja concessões para não conformidades aceitas, é necessário documentar essas exceções, incluindo evidências para tal.

3. Descrição das ações corretivas:

Sendo vital evitar a recorrência da não conformidade, é preciso implementar ações corretivas. Isso envolve uma análise aprofundada das causas raízes, utilizando ferramentas de investigação e compreensão. O relatório deve conter detalhes como responsáveis, prazos, análise de causa raiz e evidências de implementação.

4. Avaliação dos resultados das ações tomadas:

Após a implementação das ações corretivas, é necessário, para além, avaliar e descrever sua eficácia. As questões a serem consideradas incluem a adequação e suficiência das ações, se elas eliminaram efetivamente os efeitos e causas da não conformidade. Essa etapa visa garantir que o processo ou produto esteja agora em conformidade, servindo como um indicador crítico para a eficácia das ações tomadas.

Seguindo essas etapas, a elaboração do relatório de não conformidade não apenas tende a ser simples e intuitiva, mas também promove uma abordagem sistêmica e eficiente no tratamento de inconformidades. Ao respeitar as etapas, procedimentos e roteiro estratégico, não apenas se assegura a eficácia da aplicação da ferramenta, mas também se consolida um processo robusto para avaliação, correção e prevenção de não conformidades.

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Quem pode elaborar e operar o Relatório de Não Conformidade

A elaboração do relatório de não conformidade pode variar dependendo do processo adotado pela organização e da ferramenta utilizada. Em sistemas, o relatório é gerado automaticamente durante o gerenciamento da não conformidade, proporcionando um resumo abrangente de cada desvio e seus indicadores. No entanto, quando o processo é manual, baseado em modelos específicos, cabe ao responsável designado gerenciar o tratamento do desvio e a tarefa de criar o relatório. Esse profissional, podendo pertencer ao setor de qualidade ou ao próprio setor ou processo afetado, assume a responsabilidade de coordenar as ações corretivas, monitorar os prazos e reunir os recursos necessários.

Importante destacar que, embora o relatório de não conformidade não tenha valor legal, é preferível que seja elaborado por um profissional qualificado na área de controle de qualidade ou com conhecimento técnico específico. Se não for possível ou o erro for identificado em operações diárias, é interessante que um superior capacitado supervisione o desenvolvimento do relatório.

De outra forma, em uma perspectiva mais ampla, o relatório também pode ser um instrumento para disseminar a cultura da qualidade entre os membros da equipe, capacitando todos a identificar não conformidades e contribuir para a melhoria contínua dos processos. Para fomentar isso, a criação do relatório pode ser atribuída a diferentes setores, contanto que os responsáveis possuam o conhecimento necessário sobre os padrões e a capacidade de identificar não conformidades ao longo das etapas do processo produtivo. Para tal, a delegação de seções específicas do relatório para diferentes pessoas permite uma colaboração eficaz, possibilitando a elaboração de um plano de ação abrangente. Dessa forma, a criação do relatório de não conformidade torna-se uma tarefa dinâmica, adaptada à estrutura organizacional e à busca constante por excelência na qualidade.

Benefícios da Aplicação do Relatório de Não Conformidade

Os benefícios derivados da criação e utilização de relatórios de não conformidades extrapolam a simples identificação e tratamento dos desvios. A elaboração desses relatórios possibilita a identificação e ação acerca dos principais pontos de melhoria, oferecendo uma visão abrangente das áreas que necessitam de aprimoramento. Além disso, contribui para a garantia da documentação adequada e facilita o acesso a informações essenciais, tornando mais eficiente a gestão do conhecimento organizacional. A prevenção à reincidência de certas não conformidades é um dos aspectos mais relevantes, uma vez que o relatório proporciona um registro detalhado das ações corretivas implementadas.

Essa ferramenta também se revela vital para o acompanhamento da execução do plano de ações corretivas, permitindo uma análise crítica da eficácia e acompanhamento dos resultados decorrentes dessas medidas. Isso pois a transparência proporcionada pelo relatório mantém a equipe devidamente informada sobre as não conformidades da empresa, estimulando o engajamento e o comprometimento de todos os membros. Por fim, ao assegurar que as normas e padrões de qualidade estão sendo seguidos, os relatórios de não conformidades contribuem significativamente para o fortalecimento de uma cultura organizacional voltada para a excelência e a constante busca por melhorias.

Relatório de Não Conformidade Automatizado

Um relatório de não conformidade automatizado é um documento que registra eventos, processos ou produtos que não atenderam aos padrões ou requisitos estabelecidos. A automação desse processo pode trazer eficiência, precisão e consistência na identificação e relato de ocorrências.

Aqui estão alguns elementos que compõe um relatório de não conformidade automatizado:

01. Identificação da Não Conformidade:

  • Descrição detalhada da não conformidade.
  • Data e hora da identificação.

02. Origem da Não Conformidade:

  • Processo, produto ou evento específico relacionado à não conformidade.

03. Critérios de Referência:

  • Especificações ou padrões que não foram atendidos.

04. Responsável pela Identificação:

  • Nome da pessoa ou equipe que identificou a não conformidade.

05. Ações Corretivas Imediatas (se aplicável):

  • Passos tomados imediatamente para mitigar ou corrigir a não conformidade.

06. Investigação Detalhada:

  • Análise aprofundada das causas raízes da não conformidade.
  • Evidências relevantes.

07. Impacto e Avaliação de Risco:

  • Avaliação do impacto da não conformidade nos processos ou produtos.
  • Análise de riscos associados.

08. Plano de Ação Corretiva:

  • Passos detalhados para corrigir a não conformidade.
  • Prazos e responsáveis por cada ação.

09. Ações Preventivas (se aplicável):

  • Medidas para evitar a recorrência da não conformidade.

10. Verificação da Efetividade:

  • Processo de monitoramento para garantir que as ações corretivas foram eficazes.

11. Estatísticas e Tendências:

  • Dados estatísticos sobre não conformidades ao longo do tempo.
  • Tendências identificadas.

12. Aprovação e Assinaturas:

  • Assinaturas dos responsáveis pela investigação, correção e prevenção.

13. Histórico de Revisões:

  • Registros de todas as versões do relatório.

Ao automatizar esse processo, é possível criar formulários eletrônicos, sistemas de rastreamento e fluxos de trabalho automatizados para facilitar a entrada de dados, notificações automáticas e análises de tendências. Isso garante tratamento uniforme e eficaz de não conformidades em toda a organização.

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Em síntese, os Relatórios de Não Conformidades são ferramentas essenciais na jornada pela excelência operacional e qualidade contínua. Ao proporcionar uma estrutura clara e eficaz para identificar, analisar e corrigir desvios dos padrões previamente estabelecidos, essa ferramenta não apenas cumpre com requisitos normativos, mas também se transforma em um instrumento dinâmico para impulsionar melhorias significativas. Sua importância transcende a mera documentação de falhas, ele se torna um guia estratégico para a organização, orientando na busca incessante por processos mais eficientes, produtos de qualidade superior e, acima de tudo, no fortalecimento de uma cultura empresarial comprometida com a excelência e a satisfação do cliente.

Assim, o relatório de não conformidade não é apenas uma resposta a problemas identificados, mas um impulso para a inovação, a aprendizagem organizacional e o aprimoramento constante.

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